Start-up Nation? Os motivos do milagre econômico israelense

16/09/2013 | Ciência e Tecnologia.

por Amir Szuster

O que fez com que um país tão pequeno se tornasse referência mundial em diversos campos desde setores básicos como a agricultura até setores mais avançados, como a indústria bélica e o desenvolvimento de chips e aplicativos? Uma opção de resposta se encontra no famoso livro de Dan Senor e Saul Singer: Start-Up Nation, The Story of Israel’s Economic Miracle. (Em português, Nação Empreendedora, Milagre Econômico de Israel e o Que Ele Nos Ensina).

Apesar de eu particularmente não gostar muito da forma na qual o livro expõe sua teoria, já que os autores se baseiam apenas em casos de personagens bem sucedidos, limitando seus exemplos somente àqueles que suportam suas teorias, e exagerando na retórica para justificar seus pontos[ref]Para os que leram meu texto anterior, sabem que anedotas, exemplos e histórias que não fazem comparações com grupos de controle, não levam em consideração problemas de simultaneidade e endogeneidade e, desta forma, podem apresentar uma imagem distorcida da realidade e, até mesmo, interpretar correlação como causalidade.[/ref]; o livro mesmo assim, apresenta insights convincentes sobre os motivos do milagre econômico israelense.

O livro está focado na indústria de alta tecnologia, mas abrange a economia de Israel como um todo e explica de que forma um país tão pequeno, sem recursos naturais, com uma população extremamente heterogênea, rodeado de ameaças externas e com a necessidade de absorção constante de massas de imigrantes, conseguiu em apenas sessenta anos, tornar-se referência mundial em diversos setores.

Os autores destacam a capacidade do país de viver em um estado de guerra e, mesmo assim, conseguir manter uma economia em rápido crescimento.  Mais ainda. Eles destacam a habilidade única dos israelenses de transformar ameaças em oportunidades.

Senor e Singer apontam para diversos fatores que influenciaram e permitiram o desenvolvimento ocorrido no país. Eles começam demonstrando o quanto os israelenses são pessoas persistentes, especialmente caracterizados por terem “chutzpa”, uma palavra de difícil tradução, que é usada no livro como sinônimo de audácia, ousadia, “cara de pau”.

O desenho da sociedade israelense também é destaque entre as explicações do avanço econômico. Os autores destacam o papel do exército no amadurecimento dos jovens, e exemplificam isso com a rapidez com que jovens passam a ser comandantes. A necessidade de zelar pela vida de outros soldados e de ter que tomar decisões em situações de conflito, acelera o ganho de responsabilidade e a capacidade de trabalhar sob pressão, características fundamentais para a formação de futuros empreendedores.

A nação de imigrantes serve como explicação para a disposição por tomar riscos. Um novo imigrante tem que superar desafios, começar tudo novamente do zero. Ele tem mais facilidade de largar a zona de conforto e tentar novos empreendimentos. Em especial, o livro destaca o papel fundamental da alia russa, uma massa de imigrantes que chegou em Israel no fim dos anos 80 e início dos anos 90, e que trouxe a Israel milhares de trabalhadores qualificados.

A política do recém-criado Estado também recebe a devida atenção. Ao longo da história, os governos israelenses souberam como estabelecer políticas de incentivos e criar instituições que facilitaram o desenvolvimento e permitiram a exploração do vasto potencial existente no país. Esta explicação está de acordo com a visão de dois renomados economistas, Daron Acemoglu e James Robinson, que enfocam no livro Why Nations Fail? (em português, Por que as Nações Fracassam?) o papel fundamental das instituições de um país para o seu êxito ou seu fracasso.

Outro fator abordado se refere à ajuda da diáspora. Segundo os autores, com o passar do tempo, os judeus do mundo passaram a ajudar Israel não apenas por motivos filantrópicos, mas também por perceberem que o investimento no país poderia valer a pena. Poucos lugares do mundo têm uma proporção tão alta de capital humano especializado, com destaque para as áreas de ciências exatas.

Por fim, e não menos importante, os autores mostram que um histórico de boicotes a Israel, além de outras dificuldades, fizeram com que o país focasse seus esforços em ser independente em setores estratégicos.

Somados, estes fatores são os que motivaram (e ainda motivam) o crescimento e desenvolvimento deste pequeno país em um período tão curto de tempo. Um pequeno milagre num mundo repleto de histórias opostas.

Eu acredito que os fatores para o sucesso de Israel citados no livro são todos importantes, apesar de não conclusivos. Por exemplo, eu poderia dizer que os altos gastos no exército, o número gigantesco de imigrantes, a falta de estrutura ou mesmo o jeito audacioso poderiam ser os motivos para o fracasso, e não para o sucesso.

Poderíamos ter falhado em nos tornar uma sociedade democrática, pela grande influência do exército na sociedade. Poderíamos ter fracassado com a política imigratória e assim ter gerado divisões sociais insuperáveis, que poderiam ter culminado em guerras civis. Poderíamos ter formado uma elite de “audaciosos” que se preocuparia apenas com a sua manutenção no poder, sem pensar propriamente no desenvolvimento do país. Exemplos como estes não faltam entre as nações do mundo. Em suma, poderíamos estar contando outra história com os mesmos exemplos.

Apesar desta crítica, se considerarmos que os autores apresentam inúmeros insights que devem ser melhor investigados, o livro de fato apresenta pontos muito interessantes e novas ideias sobre o desenvolvimento de Israel que podem servir como modelo para o desenvolvimento de outros países.

Por fim, adicionaria um insight que os autores não abordam no livro, mas que na minha visão contribuiu muito para o sucesso alcançado neste país: a capacidade dos imigrantes de superar obstáculos e não desistir mesmo sob as piores condições. Ou seja, a existência de um propósito na criação deste Estado.

Para justificar meu ponto, tomarei como exemplo o período das imigrações para Israel. Desde 1882, ondas de imigrantes judeus chegaram a Palestina e se assentaram em regiões pantanosas, sem infra-estrutura e sob constante ameaça dos governantes e habitantes locais. Os novos imigrantes conviveram com dificuldades como: não ter uma língua em comum, possuir pouco ou nenhum conhecimento agrícola e viver em regiões endêmicas de malária. O período do mandato britânico não facilitou a vida dos judeus da Palestina; eles passaram a conviver com restrições à imigração e com o início dos conflitos nacionais com os habitantes árabes.

Novamente, posso explicar grande parte do desenvolvimento pré-Estado pelas instituições criadas pela Organização Sionista Mundial ou pelo rápido desenvolvimento de uma liderança judaica na Palestina. Assim como pelo grande número de imigrantes qualificados, pela ajuda externa de judeus da diáspora e pelo apoio de algumas potências mundiais. Todos estes são motivos plausíveis e possivelmente corretos para explicar o sucesso do empreendimento sionista. No entanto, se aponto apenas para eles, novamente, estaria deixando de lado um fator essencial a meu ver: a enorme superação dos imigrantes e sua capacidade de não desistir perante as dificuldades.   

Não tenho como provar meu ponto. Não tenho como comparar este quesito com outros países. Não existe uma escala objetiva que possa medir vontade e dedicação. Da mesma forma que expõe o livro, eu apenas proponho um insight que acredito ser extremamente importante para justificar o êxito deste pequeno país. Em Israel, os imigrantes vieram com uma motivação maior. Eles não queriam deixar passar a oportunidade de criar este país.

Os adeptos de futebol sabem que uma equipe pode ser excelente em qualidade técnica e estar muito bem armada taticamente, mas isso não necessariamente é suficiente para vencer os jogos. Muitas vezes, excelentes equipes perdem para outras que jogam com mais raça. Que jogam porque precisam vencer a qualquer custo. O livro explica de forma convincente a parte da qualidade técnica e da formação tática da equipe, mas deixa de lado os elementos invisíveis: a capacidade de superação e a vontade de ganhar o jogo.

Amir Szuster é mestre em Economia pela Universidade Hebraica de Jerusalém.
Amir Szuster é mestre em Economia pela Universidade Hebraica de Jerusalém.

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Comentários    ( 8 )

8 Responses to “Start-up Nation? Os motivos do milagre econômico israelense”

  • Felipe Schprejer HH

    16/09/2013 at 21:32

    Amir, concordo que a vontade e determinação dos imigrantes foi sim fundamental para o sucesso do Estado de Israel, mas discordo quando desse parágrafo:

    “Poderíamos ter falhado em nos tornar uma sociedade democrática, pela grande influência do exército na sociedade. Poderíamos ter fracassado com a política imigratória e assim ter gerado divisões sociais insuperáveis, que poderiam ter culminado em guerras civis. Poderíamos ter formado uma elite de “audaciosos” que se preocuparia apenas com a sua manutenção no poder, sem pensar propriamente no desenvolvimento do país.”

    Pois, apesar de estes não serem problemas em Israel drásticos como são em outras partes do mundo, se colocados da maneira como foi parecem não existir, quando de fato há um grande poder do exército na forma de pensar e agir das pessoas, quando a forma como são tratados os imigrantes é sim discriminatória e causa sérias divisões sociais e existe sim a elite audaciosa que só quer desenvolver “o seu” pais, ou seja, desenvolve-se o que lhes dá lucro e não desenvolve-se o país para os cidadãos.
    Um abraço.

  • João K. Miragaya

    16/09/2013 at 22:32

    Felipe,

    Estou de acordo no que se refere à elite “audaciosa” (aspas muito bem colocadas). Quem já assistiu ao filme “Shitat HaShakshuka” sabe que poucas famílias controlam quase toda a economia do país, e isso certamente influi na política.

    Parte dos imigrantes foram tratados de forma distinta nos anos 1950/60/70, mas em comparação com o resto do mundo (me refiro a todo o mundo contemporâneo) o exemplo de Israel é o menos problemático. Sou um dos mais críticos aos que negligenciam este problema, você pode estar certo disso. Mas não te soa no mínimo estranho que os imigrantes orientais, que em sua maioria ocupavam posições de destaque em seus países de origem (pelo menos de acordo com suas próprias narrativas), não terem dado um pio sequer quando obrigados pelo governo a viver em cabanas, com banheiros compartilhados por 5 famílias, comida e roupa racionada e perdendo seus filhos na guerra? Eles, antes de tudo, queriam ver o país florecer para depois cobrar. Já escutei isso de alguns idosos mizrachim. Por isso aponto as razões quase que messiânicas citadas pelo Amir como viáveis e coerentes.

    Sobre a influência do exército, permita-me discordar de você. Vivemos em uma sociedade com influência ideológica militarista. Mas certamente o conflito influencia muito mais nas nossas decisões políticas do que o exército por si só. É bem mais negativo do que positivo, na minha opinião, que os jovens tenham que servir o exército por três anos, e isto certamente influencia no modo de agir das pessoas. Mas não sei de que forma isto afeta o modo de pensar. Te recomendo ler a entrevista que fiz com o ex-parlamentar do Meretz e ex-presidente do Shalom Achshav Mossi Raz. Ele tem uma opinião positiva (do ponto de vista pacifista) sobre a influência do exército na formação da opinião do ex-soldado, por mais que seja contrário à ideia do serviço militar obrigatório (http://www.conexaoisrael.org/por-que-nao-ha-paz-agora/2013-07-30/joao).

    Um abraço e volte sempre!

    • JOSÉ MARQUES

      26/09/2013 at 19:56

      OLÁ JOÃO K. MIRAGAYA .
      Lí a entrevista que voce fez e que indicastes e ví a posição pacifista do entrevistado ,e percebí que a opinião dele é pelo fim do alistamento obrigatório .
      Então lhe pergunto , dentro de uma nação onde a política e o território são divididos por povos diferentes e que são inimigos ao extremo de se assassinarem , por onde passa então a paz neste quadro determinado e definido para nunca haver paz ?
      Na América do Sul , BRASIL e PARAGUAY sendo inimigos e fronteiriços só resolveram suas questões com uma guerra definitiva ,pois não havia o interesse pela paz ,haviam interesses escusos . e note que aqui em SÃO PAULO há judeus e palestinos que convivem pacificamente e mesmo professando religiões diferentes , convivem em paz .
      O QUE VOCE ACHA JOÃO ? POR ONDE PASSA A PAZ NESTA PARTE DO ORIENTE ?

      Obrigado e excelente entrevista feita por voce ,parabens pela perspicácia das perguntas.
      josé marques. (BRASIL – SP )

    • João K. Miragaya

      27/09/2013 at 10:40

      Prezado José Marques,

      Em primeiro lugar, obrigado pela visita e pelos elogios. Eu, particularmente, gostaria de te responder na página da entrevista, já que o conteúdo sobre o qual escreverei agora nada tem a ver com start up. Mas abrirei uma exceção e o farei aqui.

      Eu não concordo que possamos definir os povos que se encontram aqui como “inimigos ao extremo de se assassinarem”. Eu acredito na boa vontade da maioria dos civis israelenses e palestinos, e existem diversas instituições de coexistência que me provam isto. Há, sem dúvida, um ódio gratuito fomentado dos dois lados, especialmente por fundamentalistas, mas não acho que seja o suficiente para que qualifiquemos os povos como inimigos.

      Eu, particularmente, estou de acordo com o entrevistado neste ponto: ser contra a obrigatoriedade do serviço militar não significa ser contra a existência de um exército forte. Os EUA possuem um exército profissional e não deixam de ter fronteiras relativamente seguras. Por outro lado, eu não acredito que esta mudança deva ser feita de forma drástica: paulatinamente o alistamento militar obrigatório deveria ser substituido por um sistema de incentivos. O tamanho da burocracia existente no exército de Israel é inacreditável para quem não teve a oportunidade de participar do mesmo. Eu falo por experiência própria.

      Respondendo à sua segunda pergunta: eu não sou pacifista, mas não acredito que a paz se alcance por meio da guerra. Eu acredito no diálogo e na justiça. Acredito que alcançaremos a paz quando dermos (os dois lados) mais importância à vida do que à terra, e renunciemos a um pouco mais do que desejamos. Acredito que uma paz genuína poderá, aos poucos, destruir os grupos fundamentalistas e seus financiadores. A paz passa pelo entendimento, pelo diálogo e pela verdadeira vontade de alcançá-la.

      Um abraço

  • Raul Gottlieb

    22/09/2013 at 00:45

    Já faz um tempo que li o livro, assim que não tenho muita certeza se o que vou falar abaixo está no livro ou se li em outro lugar, mas de qualquer forma me parece ser um fator muito importante na explicação do sucesso das empresas start-up de Israel e que está ausente da boa análise do Amir.

    A frase síntese deste outro fator, que se soma aos demais destacados pelo Amir, é “tolerância à falhas”.

    Ou seja, em Israel ter falhado na construção de uma empresa não fecha as portas ao empreendedor na eventual busca por um novo empreendimento. Os financiadores (estatais e privados) analisam a proposta e não a vida pregressa do idealizador. Entende-se em Israel que falhar faz parte do processo de aprendizado.

    Os casos de insucesso são muito maiores do que os casos de sucesso, como é natural em todas as iniciativas inovadoras e um insucesso não mata a chance do empreendedor de continuar a empreender.

    Li uma vez que Bernard Shaw comentou que a pessoa mais sábia que ele conhecia era o seu alfaiate que tirava as suas medidas a cada novo terno que encomendava, enquanto que os seus amigos, mesmo os mais queridos, haviam tirado a sua medida no primeiro encontro e jamais as haviam modificado.

    Os banqueiros e investidores em Israel seguem os passos do alfaiate de BS.

    Numa outra vertente, já comentando os comentários ao texto, fico a pensar como seria possível desenvolver o país tendo aversão ao lucro.

    Empresas lucrativas desenvolvem o país ao criar a fonte de impostos a partir da qual o governo administra a infraestrutura necessária e constrói uma eficiente rede de proteção social.

    Governos não geram riqueza, não é mesmo? Todos os recursos à disposição do governo foram subtraídos de empresas lucrativas e de seus colaboradores.

    O lucro das empresas é fator decisivo no desenvolvimento de qualquer sociedade. Criticar os que têm lucro por querer apenas desenvolver o “seu país” sem se preocupar com os demais parece-me esquisito.

    Finalmente, lembro que o recente sucesso econômico de Israel talvez tenha a ver com o movimento político que aproximou Israel do capitalismo, suavizando a ideologia socialista do partido político dominante na fundação do Estado.

    Mas claro que isto pode ser apenas uma mera coincidência. Afinal de contas, não se pode nunca deixar de contar com a ajuda de Hashem ao seu povo, que é uma outra teoria plausível para o sucesso Israelense.

  • JOSÉ MARQUES

    26/09/2013 at 19:28

    Eu como brasileiro ,tentando me esclarecer sobre o país chamado ISRAEL, repito O PAÍS CHAMADO ISRAEL, fico necessitando sempre de informações que me façam entender muitos ,ou todos os aspectos que fazem deste PAÍS tão pequeno , um dos mais influentes no mundo.
    Creio que um dos motivos é que não se pode divulgar o que não deve ser divulgado e sendo verdade.
    ARIEL SHARON disse em 3 de outubro de 2001 a radio KOL YSRAEL RADIO ,sim,dirigindo-se a SHIMON PEREZ :
    “cada vez que fazemos algo,voces dizem que a AMÉRICA fará isto ou aquilo …., Digo a voces uma coisa muito clara,não se preocupem com as pressões americanas sobre ISRAEL. Nós o povo judeu ,controlamos a AMÉRICA ,e os americanos sabem disto” .

    Informações como esta me dizem ao entendimento algumas coisas como que devo saber separar,ou explicando , pedir ao CRIADOR que me dê clareza para perceber onde entra a atuação sagrada e justa sob a interferência DELE , e diferenciar a interferência faminta e injusta de homens que agem deixando sempre de fora dos livrinhos de história e depoimentos escusos ;Esta diferenciação ,prá mim ajudaria a compreender o significado deste pequeno país.
    Uma outra coisa importante é a posição dos KARAÍTES (caraítas) que negam o ESTADO DE ISRAEL e também recusam a figura dos rabinos e de livros adotados por outros judeus como o TALMUD ,por exemplo.
    Concluindo este meu comentário digo que deve existir o ISRAEL FIEL A DEUS e existe o ISRAEL INFIEL E QUE CAUSA REPULSA TAMANHA EM DEUS QUE ATÉ PERMITIU A DESTRUIÇÃO DO TEMPLO, POR TANTA IRA QUE SENTIU.
    Então ,conclusivamente , talves o “DESTINO MANIFESTO” CRIADO PELOS AMERICANOS ,não seja assim um determinação do DEUS DOS HOMENS ,mas sim seja uma criação ,atraves de livrinhos mentirosos e escusos cridos pelos “HOMENS deuses” , que não colocam nos livrinhos suas reais interferências ,que trazem tanto mal ao ISRAEL DE DEUS e tristeza aos que ,como eu, amam este povo e este lugar CHAMADO ISRAEL DE DEUS.
    A trajetória de alguns grandes e poderosos grupos mundiais nunca se pautaram em serem “LUZ PARA AS NAÇÕES” logo , com certeza nunca pertenceram ao querido e amado “ISRAEL DE DEUS”, e nunca agiram segundo o ensinado nas grandes universidades , que ensinam que a economia é ciencia exata, pois a maioria das ações destes grupos de sucesso mundial se baseia mais em trazer escuridão e tristeza para as nações, fugindo intencionalmente ao que faz queimar de amor ,dentro da vontade DO DEUS CIADOR DE TUDO E DE TODOS .
    Me corrijam se tiver errado , mas ao menos até agora ,e RECONHECENDO SEM ESQUECER muitos estados de perseguição a este povo, sim,enxergo que há dois ISRAEL .
    Obrigado pelo espaço.

  • Sérgio Storch

    07/10/2013 at 03:43

    Amir, li este artigo ao te descobrir no artigo sobre teoria dos jogos. Adorei este também, mas faço alguns reparos. Acho que a visão que você traz sobre a superação por parte dos imigrantes é idealizada. Sem dúvida isso tem uma verdade, mas não é uma verdade inteira. É meia verdade.

    Nem todos foram capazes de superar. As dificuldades foram imensas, e não sabemos quantos sucumbiram. Amos Oz mostra isso há história sobre o suicídio de sua mãe, em “Amor e Trevas”. E sabemos que para muitos e muitos Israel acabou dando certo somente na 2a ou 3a geração, como acontece com qualquer etnia imigrante para qualquer país. Aliás, se alguém fizer um estudo sociológico comparado do sucesso de imigrantes judeus em vários países, não duvido que o Brasil seja vencedor, ganhando de goleada de Israel nesse aspecto. Provavelmente a história da tua família, como a da minha, são testemunhos do que digo.

    Há diversos outros fatores a serem trazidos para explicar o sucesso de Israel, além dos que o Startup Nation discorre muito bem. Eu acredito que o fator que predomina sobre todos os outros é a aliança estratégica com os Estados Unidos após a guerra de 1967. A explicação mais completa que li sobre a importância desse fator está no livro de Edward Said, “A questão palestina!”, no prefácio à edição de 1992 (há 20 anos, e foi 15 anos após a primeira edição do livro. As datas são importantes).

    Hoje comecei a ler esse livro, aqui publicado pela Editora Unesp. Transcreverei um parágrafo que li exatamente hoje, por coincidência (ontem eu não teria tido essa informação).

    “… um acordo firmado em 1989 entre Mikhail Gorbachev e os Estados Unidos estabeleceu cotas de emigração bastante restritas de judeus russos para qualquer lugar, EXCETO para Israel. Isso provocou uma presença súbita de milhares de imigrantes judeus russos em Israel… [para evitar sair deste assunto eu pulo um pedaço que trata dos palestinos]… Clamores se ergueram em favor das prerrogativas de um Israel maior, enquanto apelos urgentes por ajuda financeira eram dirigidos aos Estados Unidos e aos judeus ricos da Diáspora. Era fácil ver que isso implicava um equilíbrio demográfico dramaticamente desfavorável aos palestinos, e fazia pressão (em associação com a reação e a aquiescência belicosa do sempre condescendente general Sharon ) para que houvesse mais assentamentos ilegais na Cisjordânia e tornava o fator tempo singularmente punitivo para os palestinos).”.

    Penso, com base nessa informação, o seguinte: o sionismo foi um projeto colonial muito competente, o que nos faz bastante felizes. Esse sucesso foi a redenção que merecíamos após 2000 anos de sermos tratados como a escória da terra. PORÉM, o projeto sionista – e o seu sucesso – não podem ser entendidos sem a outra metade da laranja: Israel é a startup nation que é, entre outras coisas porque conseguimos concentrar alguns milhões de nós num pedacinho de terra que se tornou nosso porque tiramos de lá quem lá estava. O povo que levamos para lá tem os seus méritos. Mas se não fosse uma terrinha para que fizéssemos isso não haveria startup nation.

    É um fatorzinho a mais a ser considerado, e acho que combater a nossa chutzpá é um dos desafios mais importantes a serem enfrentados para alcançarmos a paz e termos esse Estado como um lugar democrático, justo e cheio de oportunidades para as novas gerações.

    Um abraço

  • Sérgio Storch

    07/10/2013 at 03:50

    PS.: o uso que dei à palavra “chutzpá” não é o que você havia dado. Desculpe a ambiguidade do termo. Eu quis dizer orgulho, vaidade etc, e não “cara de pau”.

Você é humano? *