Suicídio Eleitoral

13/05/2016 | Política; Sociedade

Fortes rumores apontam para adesão do bloco Machane Hatzioni ao governo de Bibi Netanyahu. O líder oposicionista, Isaac Herzog, já aparece ao lado do primeiro-ministro. Negociam cargos e participações.

O Partido Trabalhista (centro esquerda) costuma cometer sempre o mesmo erro: vender a alma e convicções, em troca de ministérios e “tetas para mamar”. O ex-ministro Biniamin Fouad Ben Eliezer era o primeiro a conspirar e aderir à primeira proposta.

Esta lição, precisam aprender com o rival Likud (centro direita). Aceitar a derrota, quando ocorre, e sentar na Oposição. Com isso, conseguem manter a coerência. No que a Situação passa por problemas, tornam-se, automaticamente, a alternativa aos insatisfeitos.

Em 2006, Bibi sofreu o maior revés eleitoral de sua história. Com dignidade, viu Ehud Olmert (Kadima) formar coalizão com os trabalhistas e Avigdor Lieberman (Israel Nossa Casa). Após trapalhadas administrativas e, principalmente, a Segunda Guerra do Líbano, o povo colocou o Likud na cabeça das pesquisas de opinião.

O jogo político israelense é assim. Quem tem coerência e não se vende, conserva seu nicho fiel e cresce em tempos circunstanciais.

Agora, os que se entregam por meia dúzia de cargos se suicidam, por dois motivos. Primeiro: se o governo dá certo, só o partido do premiê colhe os louros. Segundo: se afunda, morrem todos do barco.

E os trabalhistas de Herzog, de novo, fazem o velho equívoco. Falta vergonha na cara para encarar os filiados, seguidores de sua bandeira histórica. Nem falo do eleitorado geral, que acreditou votar em uma opção a Bibi.

Tzipi Livni, Shelly Yechimovitch, Amir Peretz, Erel Margalit são alguns dos deputados contrários ao adesismo. Comentaristas locais não consideram a questão fechada, pois há pressão interna.

O Machane Hatzioni termina com a possível entrada no governo? O que muda, no atual gabinete, nesta nova configuração?

Perguntas em aberto.

Independente do desfecho, é profundamente lamentável este fisiologismo de Isaac Herzog e seus pelegos. Pensam só neles. Não no partido. Para quem se colocou como adversário concreto a Netanyahu, “virou o cocho” muito rápido e sem motivo real. Seria saudade de ser ministro, em um governo para o qual não foi eleito?

Aprendam com o Likud a respeitar o resultado das urnas, a ter hombridade de sentar na Oposição para fiscalizar e esperar. Só assim voltarão à Residência Oficial do primeiro-ministro, pela porta da frente.

Foto: http://www.haaretz.com/polopoly_fs/1.355662.1302648984!/image/830892224.jpg_gen/derivatives/headline_1218x685/830892224.jpg

Comentários    ( 6 )

6 Responses to “Suicídio Eleitoral”

  • Marcelo Starec

    13/05/2016 at 23:39

    Oi Nelson,

    Seria assim tão simples?…Acredito que eles negociem também reivindicações políticas relacionadas ao Avoda e não apenas “cargos por cargos”…mas, enfim, é só uma opinião muito superficial minha, que não conheço bem o assunto…Talvez o Herzog não esteja preocupado em ser simplesmente “oposição ao Bibi” mas também em contribuir para a implementação de algumas medidas que, em meu modesto entender, não são possíveis sem a participação da centro esquerda no governo como, por exemplo, mudar o status quo relativo a participação dos ortodoxos no exército mas, fica aqui a dúvida…

    Abraço,

    Marcelo.

    • Nelson Burd

      13/05/2016 at 23:48

      Marcelo, o que dizes é correto, é um lado da história. Existem reivindicações, planos. No entanto, há também o outro lado que relatei. Se Israel estivesse na véspera de um acordo de paz, ou em uma situação de guerra, algo especial que precise um governo de união nacional,tudo bem. Atualmente, não seria o caso. Abraço.

  • Raul Gottlieb

    15/05/2016 at 17:24

    Já que estamos falando de política: fui informado que a Dilma fez acordo de delação premiada! Infelizmente os promotores não entenderam o depoimento dela.