Todos os caminhos levam à IKEA

20/09/2014 | Sociedade

Não que eu queira fazer propaganda de uma rede mundial gratuitamente, mas tenho o prazer de falar sobre capítulo particular da sociedade israelense: a loja IKEA. Em inglês, pronuncia-se aikia, mas aqui dizem com fonética portuguesa mesmo. A palavra deve ser originária da Suécia, onde fica a matriz.

A unidade de Netanya existe há muitos anos, localizada na estrada 2, que liga Tel Aviv ao litoral norte. O incêndio, há 4 anos, deu perda total. A reconstrução foi simultânea à abertura da filial em Rishon LeZion.

Portanto, 30km ao norte de Tel Aviv e 12km ao sul, há lojas abertas para atender o consumidor. E vem todo mundo. Famílias inteiras passam o dia lá. Aquilo é um labirinto. São conjuntos de mostruários de movéis, com utensílios domésticos bonitos e baratos. Este processo de conhecimento de produtos leva horas. Quem cansa, vai ao restaurante, no mesmo piso, com comida boa e preço razoável.

Estive lá, em Netanya, era quinta-feira à noite. Loja lotada, mas não chegava a ser o formigueiro de gente que existe durante um feriado qualquer. Se desejam comprar uma cama de criança, por exemplo, precisa-se anotar o código do produto, seguir a viagem naquele mundo até o fim da aventura, pouco antes dos caixas. Lá, encontramos as prateleiras com tudo encaixotado, pronto para entrar no carrinho.

Depois de pagar, há um armazém com produtos alimentícios suecos e uma lanchonete com falafel e cachorro quente por 5 shekalim, cerca de 3 reais. Baratinho, uma barbada. Ao lado, o departamento de entregas a domicílio e montagem.

Pois é, os móveis vem desmontados e, com instruções didáticas, a maioria dos clientes frequentes os encara tranquilamente. Eu, por exemplo, não tenho competência-paciência para isto. Pagaria o serviço e pronto.

No Brasil, a loja equivalente seria a TOK STOCK. Dizem que não se compara, mas eu não posso julgar, apenas ouvi comentários de quem conhece as duas.

O que posso comprovar é o encantamento do povo pela IKEA. Em 2011, trabalhando em uma empresa de eventos, participei da distribuição do catálogo anual da rede. Percorria ruas e colocava-o nas caixas de correio. Simplesmente, era parado no caminho, pois todos queriam o encarte. Esgotava antes de terminar o itinerário. Eram várias caminhonetes cheias que esvaziavam, em poucas horas.

Depois, todo este povo iria às lojas, com as revistas já marcadas, fazer um verdadeiro arrastão, além de encontrar amigos de escola que não viam há anos, vizinhos que apenas cumprimentamos de longe, colegas de trabalho e outros conhecidos.

Porque, em Israel, todos caminhos levam à IKEA.

Comentários    ( 6 )

6 Responses to “Todos os caminhos levam à IKEA”

  • Rafael Fleischman

    21/09/2014 at 17:03

    A IKEA sempre salva! Faltou mencionar a nova unidade de Kiriat Ata (pertinho de Haifa), atendendo à população do norte. Grande abraço!

  • Marcelo Starec

    21/09/2014 at 18:21

    Oi Nelson,
    Interessante o artigo. Justamente por Israel ter optado, nos anos de 1990, ser uma economia muito aberta ao comércio com as demais nações, especializando-se naquilo que tem vantagens competitivas, como por exemplo empresas ligadas a “high tech”, Israel consegue oferecer aos seus habitantes o que há de melhor no mundo, a preços razoáveis, o que é uma boa solução, principalmente para um País pequeno.
    Abraço,
    Marcelo.

    • Nelson Burd

      22/09/2014 at 00:39

      É verdade. Quando tem concorrência, o público agradece. Shaná Tová.

  • Raul Gottlieb

    21/09/2014 at 23:10

    Realmente, Nelon, do lado de Israel o progresso econômico é visível e qualquer um que passe 5 anos sem visitar o país se espanta ao renovar a visita.

    Porque será isto?

    Uma boa parte da esquerda no mundo diz que isto acontece porque Israel rouba as terras dos Palestinos, espolia os seus recursos naturais, escraviza o seu povo, pratica limpeza étnica, etc.

    Mas penso que isto é mera delinquência intelectual. Israel progride porque cultiva valores democráticos, mantém uma economia de mercado baseada na livre competição, garante o direito à expressão livre, etc.

    Veja você o que escreveu um jornalista palestino da Jordânia sobre Gaza: http://www.gatestoneinstitute.org/4706/gazan-hamas-war-crimes

    Vale a pena ler para entender quem escraviza quem no OM, não é mesmo?

    Abraço, Raul

    • Nelson Burd

      22/09/2014 at 00:41

      Olha, eu aprendi a rir destes absurdos que existem por alguns cantos, sobre Israel. Vou dar uma olhada no site. Shaná Tova.