Tudo por 5 pila

27/06/2015 | Economia; Sociedade

2011. Revolta de cidadãos. Preços à hora da morte. Queijo Cottage com aumentos de até 35% nos supermercados. Disparada galopante nos aluguéis de imovéis. Povo na rua para cobrar seus direitos.

Um simples café, em Tel Aviv, custava, em média, 15 shekalim, podendo chegar a 22 (entre 7,50 e 11 reais, à época). “Por que essa frescura toda?”, perguntavam os populares.

De fato, cobrar caro por algo parecia estar na moda. Apenas os salários não recebiam reajustes.

Como o governo enrolou, empurrou com a barriga e não faz nada, a resposta, pelo menos no que se refere a alimentos, veio do povo. Empresário abriu rede de cafeterias e bares com tudo por 5 Shekalim. Os mesmos produtos que os outros vendiam por 10, no mínimo. Então, acabou a sacanagem. O feitiço virou contra o feiticeiro. O repuxo da maré favoreceu o consumidor.

Hoje, há várias redes de cafés e lojas de comida cobrando 5 pila. Marmita com macarrão, arroz com lentilha, sorvete, cerveja, uísque, quiches e o que tiver mais. É 5 pila.

Os esnobes de Tel Aviv, metidos a europeus, ficaram com os rabinhos entre as pernas e inventaram promoções parecidas. Até o McDonalds aderiu.

Vou dar o crédito a quem merece: Cofix. Este é o nome da rede pioneira. Eles têm bar de bebidas alcoolicas, café com comidas, e agora abriram um supermercado. Tudo por 5 pila.

A concorrência, desesperada, e a imprensa, curiosa, perguntavam como fazer um super tão barato. A resposta foi simples. Vender embalagens menores e apostar no mercado de jovens solteiros e idosos. Acontece que todos estão comprando lá. Se o pacote é menor, compra 2, paga 10 e ainda vale a pena.

Avi Katz, fundador da Cofix, conta a história, no site oficial: “Estava com um amigo viajando. Paramos em uma loja de conveniência de um posto de gasolina. Peguei 50 Shekalim e fechei o carro. Pedi um café e um sanduíche. Meu amigo, um café gelado e uma caixinha com chicletes. Deu mais de 50. Fiquei impressionado. Fiz o cálculo que alguém gastaria 2.500 por mês, se passa muito por estes estabelecimentos”.

Obrigado, Avi Katz. O senhor fez mais que todos os burocratas do governo juntos. Valeu pelo senso de humanidade, por pensar no próximo. Mereces todo o sucesso obtido. Sou teu consumidor. Vi tua entrevista no canal 2 local, teu carinho com os funcionários do supermercado e como dizias a eles para tratar com respeito aos clientes.

Avi Katz pode estar trazendo de volta o caráter social do país, esquecido nos últimos anos. Queriam transformar isto daqui em uma terra boa, apenas para quem tem muita grana. Hoje, 5 pila pode ser o começo do suficiente.

Foto da capa: Any Dana.unnamed

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Comentários    ( 10 )

10 comentários para “Tudo por 5 pila”

  • Raul Gottlieb

    27/06/2015 at 13:01

    Querido Nelson.

    Vamos dar o crédito a quem merece: o mercado, o capitalismo.

    A Cofix é apenas uma manifestação do capitalismo que funciona quando o governo não atrapalha.

    Ficar esperando que o governo resolva o problema do preço do queijo cottage ou da adequação dos salários é de uma insanidade quase comovente de tão infantil.

    Graças a Deus o governo resolveu não fazer nada (entendendo que nomear comissões para discutir o problema e apontar soluções é o sinônimo perfeito de “não fazer nada”).

    Se o governo tivesse resolvido colocar os dedinhos no controle de preços e salários teria destruído o país.

    Abraço, Raul

    • Nelson Burd

      27/06/2015 at 20:31

      Foi o que o Bibi fez. Não mexeu em nada e deixou o barco navegar sozinho. Abraço.

  • Rita Burd

    27/06/2015 at 14:59

    Como sempre, Nelson Burd, li a tua matéria e adorei do começo ao fim. Avi Katz és o que eu chamo de mente brilhante que põe em prática, proativo. Kol hakavod.

  • Marcelo Starec

    27/06/2015 at 22:49

    Muito bom Nelson!…

    É isso aí! E viva Avi Katz e viva o livre mercado que permite que pessoas com boas ideias possa empreender em Israel – e vencer!…Em outros lugares do mundo, haveria uma comissão de burocratas que teriam de estudar se Avi Katz poderia colocar em prática a sua ideia, visto que isso atrapalharia a concorrência e “enganaria” o povo, pois o povo é “ingênuo e não sabe que pagou 5 pila por uma embalagem menor”….Essa coisa de em teoria proteger demais o povo, na prática acaba mesmo é servindo ao interesse não exatamente de quem supostamente deveria ser protegido…Se o Governo permite que ideias boas possam ser implementadas sem maiores problemas, isso por si só já é bom…e claro, não defendo um País sem um governo forte e atuante, mas certas coisas tem de ser resolvidas de outro modo…Ainda que isto pareça ser um tanto desagradável, mas a médio prazo é sempre melhor que o governo cuide do ambiente macro e deixe as questões do tipo – margens de lucro elevadas no café seja decidido pelo mercado – tem gente que paga 10 vezes mais por uma roupa ou por um café, pois quer ter um certo “status” de usar / estar ali…Para os demais,a resposta é pelo caminho do Avi Katz!…..
    Abraço,
    Marcelo.

    • Nelson Burd

      27/06/2015 at 22:56

      Concordo plenamente. O caminho do Avi Karz é o caminho. Abraço.

  • Mario S Nusbaum

    27/06/2015 at 23:57

    Nelson, como o Raul disse, o mérito é todo do capitalismo. Do jeito que você escreveu – Como o governo enrolou, empurrou com a barriga e não faz nada, – parece algo negativo quando não é. A melhor coisa que um governo pode fazer NESSES casos é exatamente nada, deixar que o mercado se ajuste.

    • Nelson Burd

      28/06/2015 at 00:04

      Correto. O problema é que, em 2011, os protestos levaram milhões de pessoas às ruas. O governo sentiu a pressão e prometeu medidas, que não aconteceram. O escrito relatou exatamente o ocorrido. Alguém do governo poderia dizer que “mudariam não mudando”. Mas, não. Prometeram e não fizeram.

    • Mario S Nusbaum

      30/06/2015 at 01:32

      Obrigado pela explicação Nelson. Governos em geral não costumam cumprir o que prometem.

    • Nelson Burd

      30/06/2015 at 10:21

      Valeu.

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