Tudo Sobre O Alistamento Militar em Israel

07/12/2016 | Sociedade.

Obrigatório, mas não para todos

Introdução

Em Israel, o serviço militar é obrigatório, o que não quer dizer que todos servem o exército.

Números recém divulgados pelo departamento de recursos humanos do exército mostram que houve uma redução no número de alistamento militar em ambos os gêneros. Mais de um quarto dos jovens do sexo masculino não servem o exército. Entre as mulheres, este número é maior que um terço. E isto vem aumentando. Nos últimos 12 anos, houve uma preocupante redução de quase 6% no número de homens.

Uma das doutrinas base adotadas após a criação do Estado de Israel, foi a doutrina da “colcha de retalhos” (em hebraico, כור היתור – em ingles, melting point) que visava misturar e homogeneizar a grande variedade de imigrantes oriundos de países diferentes, e integrá-los e harmonizá-los em um todo comum, com a mesma cultura e hábitos sociais.

O exército era, e segue sendo, um instrumento fundamental para a implementação desta doutrina. “Todo o povo defende o exército do povo; O alistamento deve valer para todos; O exército tem funções sociais e educativas e ele é um componente central para o processo de criação da nação”.[1]

No entanto, a diminuição de jovens servindo o exército, aliada a uma maior separação de setores por conta de suas particularidades, como por exemplo, o caso de batalhões especiais apenas para ultra-ortodoxos, têm colocado em xeque o papel do exército como pilar fundamental da doutrina de “colcha de retalhos”.

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A dispensa por conta de motivos religiosos é a principal razão para o não-alistamento tanto entre homens, quanto entre mulheres. Veja abaixo, as tabelas que descrevem os motivos de dispensa militar de jovens judeus, em 2016:

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Uma análise mais profunda dos dados, no entanto, mostra uma realidade complexa.

Dificuldade no alistamento de ultra-ortodoxos

Diversas políticas foram implementadas para superar a dificuldade de alistamento dos ultra-religiosos. Apesar do exército contar com comida kasher, muitas vezes, este grupo tem exigências mais restritas no que diz respeito às regras de kashrut, formas de vestimenta, além de outras exigências relativas a rituais diários. Igual, a dificuldade de integração dos ultra-ortodoxos ao serviço no exército segue sendo uma questão delicada e longe de estar resolvida, principalmente por conta de decisões e políticas internas deste setor social.  

Diminuição da motivação em ser combatente

Um dado preocupante para o exército é a redução da motivação em servir como combatente. Comparado com 2015 (71.9% do total), houve uma diminuição de dois pontos percentuais em 2016 (69.8%).

Por outro lado, a integração de mulheres combatentes tem crescido de forma rápida, de 547 combatentes em 2012, para 2.100 em 2016. Será criado um quarto batalhão misto por conta deste maior interesse.

Aumento de mulheres religiosas nacionalistas

Mulheres têm menos dificuldades em serem liberadas do serviço militar por motivos religiosos. No entanto, um interessante fenômeno ocorrido nos últimos 6 anos foi o crescimento de mais de 150% no número de religiosas nacionalistas. Muitas delas estão contrariando a orientação dos rabinos, e alistando-se por diferentes motivos, entre eles, sua crença sionista e sua vontade de provar seu valor na sociedade moderna.  

Diminuição da “fuga de cérebros”

Um dado interessante foi a redução do número de oficiais das áreas de inteligência e tecnologia que abandonaram o exército em 2016, apesar da difícil competição com o setor privado.

Conclusão

Os desafios presentes na sociedade israelense são refletidos no exército. Diferentes grupos, diferentes setores, e uma crescente dificuldade de manter um denominador comum entre todos.

O exército, assim como a sociedade, deve repensar constantemente sua interação para harmonizar as particularidades de cada grupo, mas permitir a unidade da maioria. E isso tem se tornado uma missão cada vez mais difícil com o passar do tempo.

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