Um pouquinho de Brasil iaiá…

Podem pesquisar, perguntar para amigos brasileiros que vivem em Israel. Eu já fiz isso. Ouvi histórias de jantares especiais, preparados com todo o carinho, reunindo toda a família. Uma lata vinha para o centro da mesa. Os copos alinhados e servidos de forma igualitária, milimetricamente. Todos bebiam ao mesmo tempo. Devagar. Saboreando cada instante. Até porque não sabiam quando iriam tomar aquilo novamente.

Desde 2008, é fácil encontrar Guaraná Antarctica em Israel. Nem sempre foi assim. Hoje, por saber que existe nas prateleiras de mercados próximos, já não há tanto encanto. O mesmo acontece em relação a pão de queijo, caldo de cana, leite condensado, aipim, dentre outras delícias brasileiras.

A vontade de comer algo, motivada pela saudade, nostalgia, sempre rola. Não significa que a comida daqui não agrade. Simplesmente, existe uma história de vida, antes de Israel. Para mim, a culinária de um povo é um baita retrato de sua cultura.

Em Ramat Gan (Shderot HaYeled, 18), pertinho de casa, tem o Na Favela, bar com petiscos tupiniquins, de sábado à quinta, e música ao vivo, às quintas-feiras. Samba, é claro. O risole de palmito foi matador. Tamanho daqueles servidos em festa de criança, frito na hora, caprichado no recheio. A coxinha deles é demais.

Enlouqueci também com a goiabada, feita pelo casal Andrea e Marcos, de Raanana. Eles entregam em casa. Gosto fantástico, bem suave. A consistência é de geléia grossa. Peguei uma fatia de queijo prato, passei quantidade generosa do doce, enrolei e virou um canudinho de Romeu e Julieta. Bah…

Cada vez mais, precisamos trazer menos “contrabando” do Brasil. A galera costuma encher uma das duas malas de 32 quilos, cheia de “gordices”. No entanto, é preciso saber provar as opções existentes e, também, fazer adaptações.

O restaurante de comida georgiana, Deda, de Guivataim e Bat Yam, serve pastéis de queijo e de carne. Na língua deles, é Tchebureki, mas lembra demais o pastel brasileiro. Principalmente, o de queijo. No verão, fecha muito bem com cerveja gelada.

Quase ao lado do Deda, tem o Naknikiot (Salsichas). É uma lanchonete de cachorro-quente. Uma das opções inclui purê de batata. Recebi a dica de amigos paulistas e fui conferir. Pedi o “sanduíche holandês”. Comentei com o dono: – “Engraçado chamar de holandês, porque no Brasil comem com purê também”. A resposta foi sensacional: “Eu comi em São Paulo e gostei. Se eu falasse que era brasileiro, o pessoal iria estranhar, achando que seria algo com frutas tropicais”. Hahaha. Até agora, relembrando a explicação, começo a rir.

E assim, aproveito a vida, dividindo com os amigos os meus pecados da gula.

Link: https://www.facebook.com/nafavelabar/?fref=ts
Link: http://www.deda.co.il/
Link: https://easy.co.il/?p=23755778
Link: http://www.produtosbrasileirosemisrael.com/

Foto: Any Dana

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Comentários    ( 12 )

12 comentários para “Um pouquinho de Brasil iaiá…”

  • Raul Gottlieb

    26/02/2016 at 11:06

    Oi Nelsinho, a história do cachorro quente “holandês” me faz lembrar a do arroz à grega, que não existe na Grécia. Shabat shalom, Raul

    • Nelson Burd

      26/02/2016 at 14:50

      e da montanha russa, chamada de montanha americana, na rússia. o amendoim japonês, chamado assim no brasil, aqui é conhecido como americano.

  • Marcelo Starec

    26/02/2016 at 23:17

    Oi Nelson,

    Muito bom saber!…Uma coisa que me impressionou em Israel é a facilidade de se encontrar o Guaraná Antártica…Quem quiser consegue comprar, sem nenhuma dificuldade e a um preço normal….
    Abraço,
    Marcelo.

    • Nelson Burd

      26/02/2016 at 23:30

      Isso começou em 2008. Realmente, sai em conta. Mesmo preço de outras bebidas similares. Abraço.

  • beatriz kamer

    28/02/2016 at 20:48

    Quando moramos no Texas, surpreendia meus amigos com um pão de forma com diferentes recheios, cortado na horizontal que aqui era chamado; PÃO AMERICANO, os americanos nunca ouviram falar dele

  • Jean Ramos

    29/02/2016 at 05:24

    Olá Nelson,

    Primeiramente gostaria de parabenizá-lo pelo blog. Realmente Israel tem mais conteúdo que a maioria dos países mundo à fora para que brasileiros se familiarizem com o país antes de visitá-lo.

    Em relação ao seu texto, sou contador, moro no litoral do Paraná e tenho curiosidade tanto de conhecer Israel, quanto de possivelmente estabelecer relações comerciais entre empresas de Israel e do Brasil.

    Existe um site onde posso conseguir em inglês ou português informações sobre como funciona o sistema tributário de Israel? Também gostaria de saber se há algum produto específico daqui do Brasil, qual você julga interessante exportar para Israel.

    Se puder me ajudar, agradeço muito atenção.

    Atenciosamente, Jean.

  • Raul Gottlieb

    29/02/2016 at 19:31

    Só não exporte o PT, Jean!
    O resto vale tudo.
    De jogador de futebol a cachaça.

    Falando em cachaça, uma vez fui a num quiosque de praia em TLV que tinha caipirinha no cardápio. Mas quando veio, vimos que era feita com rum. Foi uma decepção.

Você é humano? *