Veramente Italiano

Boa parte dos restaurantes israelenses segue o padrão Kosher (casher) de alimentação. Não misturar carne com leite, por exemplo. Portanto, enquanto uns servem apenas refeições laticínias, outros agradam aos carnívoros.

Imaginem-se chegando a um café, em Tel Aviv, Jerusalém ou Haifa. Recebem cardápio oferecendo sanduíches, bebidas quentes e frias e pratos italianos. Massas, espaguete, penne, ravioli, nhoque, com várias opções de molhos, sem carne ou frango. Esta seria uma variação que eu chamo de “ítalo-sabra”. “Ristorante veramente italiano”, em Tel Aviv, eu destaco dois. Ernesto e Amore Mio.

O primeiro é excelente e barato. Na hora do almoço, fazem o pacote entrada+prato+bebida por 39 shekels (por volta de 30 e poucos reias. Para cá, barbada). Estive lá, pela última vez, em abril. Escolhi penne ao molho de gorgonzola. Estupendo. O garçom, um cara jovem, atendia em hebraico, mas percebi que ele falava em italiano com clientes da outra mesa. Achei que este fato deu um toque mais original ao estabelecimento da rua Ben Yehuda, 90, bem próximo à praia.

Aliás, sobre isto, presenciei uma palestra em 2011, ministrada por dono de restaurante, no Porto de Tel Aviv. Empresário e chef que morou vários anos na Itália e retornou, fim da década de 1970, para montar seu bistrô. Não foram poucos os pratos devolvidos, com a seguinte reclamação: “Ze lo assui”. Traduzindo: “Não está pronta, não está cozida”. O cara quase arrancava os próprios cabelos, ao perceber que os clientes não conheciam “Pasta Al Dente”.

Hoje, já existe maior requinte. Já sabem o que é um Minestrone, quando pedem no Ernesto, por exemplo.

O Amore Mio se localiza na rua Ibn Gvirol, quase em frente à Prefeitura. A pizza Quatro Formaggi (Quatro Queijos) é a minha sugestão. Já provei muita coisa por lá, mas este pedido é o “de sempre”. Muçarela, roqueforte, parmesão e caciocavallo. Combinação bombástica. Os queijos locais costumam ter outras características. As pizzas, também. Confiram no link do rodapé as opções de cardápio. Desta forma, o Amore Mio se consagra pela comida típica, se distanciando do modelo “café israelense”.

O nosso cronista Gabriel Paciornik traz dado importante sobre a questão: “O Amore Mio é um dos meus preferidos de Tel-Aviv. Lembrando, inclusive, que até 10 anos atrás, israelense só conhecia dois tipos de queijo: branco e amarelo”, revela.

Deixo como dica extra o Rustico, localizado na agitada avenida Rotschild. Adorei quando fui, conheço amigos que são fãs, mas é sofisticado demais, perdendo assim, aquele encanto de “cantina”. Para ser “veramente italiano” para mim, precisa de toalha xadrez, salames pendurados, garrafas de vinho espalhadas, barulho e bom atendimento, sem ser grã-fino.

Sendo que “veramente italiano”, é impressão que trago mais do Brasil, do que da própria Itália.

Link: http://www.amoremio.rest-e.co.il/
Link: http://telaveat.com/restaurant/ernesto/
Link: http://rustico.co.il/rothschild/menus/Rustico%20ROTH%20menu%20ENG.pdf
Foto: http://www.yummypick.com/wp-content/uploads//2015/01/ernesto-0-0283d4f8e6bbeec30c05e27ebddb8a90.jpg

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Comentários    ( 9 )

9 Responses to “Veramente Italiano”

  • Miguel Zanona Krasner

    18/07/2016 at 22:35

    Ainda em Porto Alegre, este colunista me ensinou um quitute da gastronomia baseado nas massas também: miojo com requeijão e batata palha. Foi uma realização, uma delícia que eu não tinha provado até então (só o miojo com o temperinho da embalagem).

    Lendo isso, só posso te parabenizar (Nelson), pela evolução que tiveste indo praí! HEHEHEHE

    • Nelson Burd

      18/07/2016 at 22:37

      A miojo era sem batata-palha. so com requeijao e tempero. ficava cremosa, antes mesmo deles lancarem a miojo cremosa. o segredo era botar pouca agua.

  • Mario S Nusbaum

    21/07/2016 at 00:15

    “Boa parte dos restaurantes israelenses segue o padrão Kosher (casher) de alimentação” Boa parte quanto Nelson? Claro que não espero um número exato, mas é difícil achar um restaurante traif? Pelo que sei deve ser muito mais fácil em Tel-Aviv e Haifa do que em Jerusalém, é isso mesmo?
    Existem os que servem carne de porco? Não que eu faça muita questão, é mais curiosidade.

  • Mario S Nusbaum

    21/07/2016 at 00:18

    “Boa parte dos restaurantes israelenses segue o padrão Kosher (casher) de alimentação” Boa parte quanto Nelson? Claro que não espero um número exato, mas é difícil achar um restaurante traif? Pelo que sei deve ser mais fácil em Tel-Aviv e Haifa do que em Jerusalém, é isso mesmo?
    Existem os que servem carne de porco? Não que eu faça muita questão (camarão eu faço), é mais curiosidade.

    • Nelson Burd

      21/07/2016 at 08:01

      Existem restaurantes, cujo o cardápio até seria casher, mas abrem aos sábados, por causa dos clientes. Então, não ganham o certificado casher. 70% dos judeus israelenses não misturam carne com leite e não comem porco, mas não nem todos são ortodoxos. Ou seja, muitos comem em restaurantes que abrem sábado, simplesmente pelo fato de saberem que a comida é casher, não importando o selo casher do estabelecimento. Número preciso, eu precisaria buscar, mas encontram-se muitos lugares abertos em todos os locais turísticos, inclusive Jerusalém. Tel Aviv, sendo mais cosmopolita, mais ainda. Sempre se consumiu carne de porco em Israel. Existe um mito de que a imigrição da URSS, desde 91, trouxe porco a Israel. Isso é mentira. Em Jerusa, se comprava desde a década de 60, nas quebradas da rua King George, perto do antigo knesset. Todos sabiam, mas ninguém comentava. Usam o eufemismo “carne branca”. Frutos do mar tem muita opção. Já escrevi sobre isso em um texto de 2013 e outro em janeiro, sobre Eilat.

  • Mario S Nusbaum

    21/07/2016 at 23:56

    Obrigado Nelson, pelas explicações e pelos links. Um abraço