Você sabia que a primeira miss trans de Israel é árabe e católica?

22/06/2016 | Sociedade

por Gabriel Toueg

O famoso teatro Habima, de Tel Aviv, foi o palco da coroação da primeira miss trans de Israel. Aos 21 anos, nascida em Nazaré, no norte de Israel, Ta’alin Abu Hanna é árabe-israelense e cristã católica. Bailarina e cantora, ela venceu a disputa depois de deixar para trás, entre outras candidatas, Aylin Ben Zaken Cohen, uma judia que cresceu em uma família ultraortodoxa de Jerusalém, e Carolin Khoury, uma muçulmana que teve de fugir de casa com ajuda da polícia para escapar de maus-tratos de recebia por ser transexual.

A cidade escolhida para a coroação de Ta’alin não é fruto do acaso. Tel Aviv é uma das cidades mais simpáticas do mundo (e certamente a mais simpática no Oriente Médio) às comunidades LGBT, com uma parada anual que movimenta milhares de pessoas no verão. Ilha de convivência e tolerância na região a gays, lésbicas, bissexuais e trans, Israel foi o primeiro país, em 1998, a vencer o disputado Eurovision com uma representante transexual, Sharon Cohen, conhecida como Dana International, hoje um ícone do coletivo LGBT.

Israel tem leis consideradas liberais e gays são aceitos no Exército, que alista quase a totalidade de homens e mulheres do país por um mínimo de dois anos. Apesar de tudo isso, também é palco de ataques de intolerância contra a comunidade LGBT, como os que ocorreram em diferentes edições da parada gay realizada em Jerusalém. Muçulmanos e judeus ortodoxos, acostumados a se posicionarem em pólos contrários em questões políticas, se unem em ataques verbais e físicos contra os participantes da marcha. Um judeu ortodoxo está em julgamento por matar uma adolescente ao esfaquear pessoas na parada gay de Jerusalém do ano passado.

Em setembro, Ta’alin vai ser a representante de Israel no Trans Star Internacional, em Barcelona. Com a premiação em Tel Aviv, ela recebe um tratamento estético em uma clínica na Tailândia, avaliado em 13,5 mil euros (cerca de R$ 54 mil). Depois da coroação, ela comentou a jornalistas, segundo o diário israelense Haaretz: “Nosso país merece sair vitorioso. Nosso país me permitiu, uma árabe cristã de Nazaré, acabar com a guerra entre minha alma e meu corpo. Se fez isso por mim, nosso país só pode ser um país de paz”.


Crédito da imagem: The Advocacy Project via Visual Hunt / CC BY-NC-SA

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