A Voz da Emoção

12/07/2014 | Cultura e Esporte

Acompanhar futebol, pelo rádio ou televisão, depende muito da conexão entre o narrador e o torcedor. O ouvinte espera pelo bordão, por uma palavra que possa abrandar a tensão e ativar seu processo de extravasar. Em Israel, encontrei um locutor que consegue me “prender”, assim como faz o Silvio Luiz, lá no Brasil.

Meir Einstein nasceu em 1951, tem cabelos brancos caídos sobre o rosto, usa óculos e tem voz forte, marcante. Ele não é o único que executa essa função por aqui, talvez nem o principal, mas é o meu preferido. Ele transmite futebol pela tv e tem programa na rádio 103 FM.

Complicado explicar o porquê. É algo subjetivo. Simples empatia.

Com ele, acompanhei inúmeros jogos da seleção israelense, além do título do meu Hapoel Tel aviv, temporada 09-10. Jogo encardido, contra o Beitar Jerusalém, fora de casa, lá no Teddy Kolek, dependendo de outro resultado ainda. O gol do título veio aos 46 do segundo tempo. Talvez neste dia, a admiração se tornou fidelidade, a narração inesquecível.

Para o povão daqui, a transmissão marcante foi a de um Israel x França, pelas Eliminatórias da Copa 94, em Paris. Vitória histórica, com o Meir quase perdendo a voz no último gol.

Outro ponto que o torna especial é o fato de ser imitado por todos. Desde o guri que joga pelada na calçada, até pelo ator Eli Finish, no humorístico local Eretz Nehederet (Terra Maravilhosa).

Meir Einstein está no Brasil cobrindo a Copa. Transmitiu, dentre outras, a partida contra o Chile, no Mineirão. Narração imparcial, até porque ele não é brasileiro ou chileno. Mesmo assim, vibrei muito com ele, como faço com o Haroldo de Souza, da rádio GRENAL, de Porto Alegre, e suas “bandeiras tremulando, tremulando, tremulando”.

Torço para que o Meir siga narrando sempre, esperando que na próxima o comentarista Salva Barzilay, brasileiro radicado em Israel, esteja ao seu lado.

Foto da Capa: Nelson Burd

Links:

Artigo sobre imitação do Meir no ERETZ NEHEDERET.

Comentários    ( 4 )

4 comentários para “A Voz da Emoção”

  • Raul Gottlieb

    13/07/2014 at 11:46

    Olá Nelsinho,

    Eu prefiro assistir os jogos sem som na TV. Só quando a cara metade resolve que o jogo é “importante” e ela tem que assistir é que sou obrigado a incluir um locutor na minha vida.

    Experimente assistir no silêncio, suspeito que você vai gostar. Valoriza mais a tua percepção. Porque você precisa de alguém que descreva o que você está vendo?

    Sobre o primeiro vídeo: aquele cara do Beitar que amansou a bola para o Hapoel fazer o primeiro gol joga igualzinho o David Luiz. Merece estar na seleção brasileira!

    Abraço, Raul

    • Nelson Burd

      13/07/2014 at 12:29

      Hahaha, quanto ao zagueiro, boa comparação.
      Eu sou um apaixaonado pelo rádio.
      Quando abaixo o som, fatalmente coloco o som do rádio.
      Vou experimentar ouvir sem som, não sei se vou conseguir, mas tentarei.
      Abraço.

  • Raul Gottlieb

    13/07/2014 at 18:45

    Nelson,acho que ouvir sem som você não vai conseguir nunca. Um está amarrado no outro por definição. A questão é ver sem precisar que uma outra pessoa descreva para você o que você está vendo. Abraço, Raul

    • Nelson Burd

      13/07/2014 at 20:35

      Mesmo no estádio, sempre levava o radinho. No campo, que seria esta experiência.

Você é humano? *