Voz de Israel – Rachel Rachewsky Scapa

Dizem que “brasileiro não vive sem rádio”. Pois uma brasileira comanda uma emissora na internet, desde Kfar Saba. Há dez anos, Rachel Rachewsky Scapa apresenta o programa Voz de Israel, semanalmente.

foto: Alberto Scapa Jun2013

1- Onde nasceste e viveste, antes de vir a Israel?
Nasci em Curitiba-PR, em Abril de 1966. Devido ao trabalho do meu pai, mudávamos muito. Entre as várias cidades nas quais morei estão Joinville, Itajaí, Passo Fundo e Porto Alegre, São Paulo, São Bernardo do Campo e Rio Claro.

2- O que te trouxe para cá? Houve apoio de amigos e familiares para vires?
Na verdade, tudo começou com uma palavrinha de incentivo de uma tia minha, irmã do meu pai, quando eu morei com ela em Curitiba por uns meses em 1981. Depois, foi um pouco por revolta, tenho que confessar (adoslescente, sabe como é…)
Porém, sim tive apoio do meu pai e de outros familiares. Sei que foi difícil para meus 5 irmãos, menores que eu.
Já em 1981, meu pai até tinha meio que dado o OK para iniciar o processo de aliá, mas Israel bombardeou a usina nuclear do Iraque, então, como esperado, minha vinda foi adiada. No final das contas, cheguei a Israel sozinha aos 16 anos, em Agosto de 1982, em meio à primeira Guerra do Líbano. Fui para o internato Ayanot, no projeto da Classe Brasileira em Israel.

3- Vieste na década de 80. Como vias a Israel de outrora?
Israel dos anos 80, aos olhos de uma adolescente de 16, parecia mais romântica – e me perdoe a expressão. Estávamos meio que isolados do resto do mundo por estar num internato, e eu não sabia quase nada de Hebraico naquela época. Eu estudava e trabalhava (em Ayanot mesmo) para me sustentar com os “extras” que não eram distribuídos na escola. Mesmo assim, as nossas idas a Tel Aviv ou a Jerusalém nos proporcionavam oportunidades para conhecer Israel, e ter contato direto com as pessoas – nas lojas, por exemplo. Eu acho que, antes, as pessoas eram menos pacientes com quem não sabia Hebraico.
A avirá, ou atmosfera, era outra, pois estávamos em guerra, e isso ocupava muito mais a mente do povo.

4- E a Israel de hoje?
Israel de hoje está há anos luz de distância, pelo menos aos meus olhos de hoje, mãe de um guri de 1 ano e meio, e com muita bagagem na memória. Hoje as pessoas têm mais paciência para quem não sabe hebraico, pois há muito mais imigrantes, turistas, trabalhadores estrangeiros, legais, ilegais…. porém, o povo aqui tem menos paciência para injustiças, menos paciência ainda no trânsito (eu que o diga – tinha zero tolerância quando dirigia!), menos tolerância com políticos que prometem durante as eleições e esquecem um segundo após chegarem ao cargo.
Sim é mais difícil hoje “ligmor et ha-chodesh”, ou seja chegar ao fim do mês com o salário. Também é mais difícil não viver no vermelho no Banco.
O que é triste e tenho que reconhecer, com todo meu amor por Israel, é que nos anos 80 não se ouvia falar muito sobre assassinatos, falcatruas e outros escândalos. Outra coisa: ainda bem que não havia mais de um canal de TV, porque assim não éramos bombardeados de tantos shows de suposta “realidade” como tem hoje. A TV era mais limpa.

Mas Israel de hoje também incentiva mais a iniciativa em tecnologia, principalmente se vai melhorar a qualidade de vida, ou inovações em tecnologia para a saúde, por exemplo. Israel dá muita liberdade de expressão, e o seu site, o CONEXÃO, é bom exemplo disso.

5- Como o rádio entrou em tua vida?
Meu pai tinha programa de rádio, e ele me ensinou a ler antes mesmo de eu ir para o 1o. ano. Eu declamava poesias e lia Salmos no programa dele…..

6- E como começou o teu Programa a Voz de Israel?
Antes de começar com o rádio, foram as notícias por escrito. Em outubro de 2000, com o início da Intifada após a visita de Ariel Sharon ao Monte do Templo, comecei a acompanhar as notícias sobre Israel nos jornais do Brasil. Quando vi que um ataque terrorista na Judéia foi relatado completamente ao contrário da verdade, fiquei irritada. O que vi naquele jornal que hoje nem lembro qual era, foi que um judeu terrorista (e deram o nome do judeu) matou a tiros um árabe palestino (e escreveram seu nome) em seu carro, junto com sua esposa. Seus filhos que estavam no veículo foram gravemente feridos… porém, a verdade era outra. E falo do filho do Rabino Kahana, que foi quem morreu naquele ataque. Não sou da extrema direita, mas sim sou da extrema verdade.
Então, comecei a enviar por e-mail, um resumo semanal das notícias, a Epístola Noticiária. No princípio, umas 20 pessoas recebiam a EN diretamente de mim, depois a lista foi crescendo, e chegou a 500 pessoas!
No final das contas, isto me levou a estudar jornalismo na Universita haPtuchá, com Dudi Goldman, do jornal Yediót Acharonót.
Mas em fevereiro de 2002, fui ao Brasil pela primeira vez, após 20 anos aqui. (Esta viagem foi uma surpresa que me fizeram ao vivo no programa do Dudu Topaz…)
Quando retornei, comecei a gravar a edição de notícias. Eu gravava e editava sozinha 10 minutos de notícias, colocava no site da minha empresa, e enviava o link para a lista de pessoas que recebiam a EN – todas as semanas. Aos poucos, emissoras de rádio AM FM, cristãs com interesse em Israel, pediam para receber o arquivo, e eles rodavam a edição durante toda a semana. Após algum tempo, o programa de rádio israelense Interbeit, da rádio Reshet Beit, entrevistou-me sobre a área de hasbará e sobre a Epístola Noticiária.
Em 2003, o Voz de Israel começou numa rádio de Portugal, e era de 2 horas. Eu falava sobre vários assuntos, e colocava a edição de notícias que havia gravado e editado.
Hoje em dia, tenho o Programa Voz de Israel na minha web-radio, todos os domingos, e sinto que faço minha parte na hasbará.

radioradio

7- Foste correspondente de veículos, antes de ter teu programa. Qual a diferença para ti?
Ser correspondente para outras emissoras pode ser ótimo, pois sua voz chega a pessoas que você não chegaria de outra forma. Mas, pode também ser frustrante, pois você não controla o tempo que se dedica a uma notícia, explicando mais onde é necessário. Por exemplo, fui correspondente de notícias para uma rádio na Austrália. Eles gravavam uns 5 minutos, mas colocavam no ar só 2 minutos ou menos. Desta forma, a maioria do conteúdo era cortado. Mas em emissoras que me entrevistavam ao vivo, como a BBC 3 Counties na Inglaterra, outra emissora na Irlanda e outra no Brasil, não havia “filtro”.
No meu programa eu posso incluir o que eu quero… inclusive a participação de outras pessoas, como você! (Eu, Nelson Burd, participo de um quadro chamado Voz da Cultura)

8- Terminaram com a classe brasileira de Ayanot em 2011. Achas que foi um grande erro?
Acho que foi um erro pois, na minha opinião, esse projeto trazia mais jovens brasileiros a Israel do que qualquer outro. Para mim, Ayanot foi meu primeiro lar em Israel.

9- Tens ouvintes em várias partes do mundo. Quem são e como ocorre tua interação com eles?
A maioria dos ouvintes do programa são cristãos pró-Israel, ou seja, cristãos que apóiam Israel de várias formas. Eles são realmente de várias partes do mundo, seja do Brasil, Portugal, Cabo Verde na África, Suíça, Espanha e Estados Unidos.

Qualquer um pode entrar em contato comigo pela página do Programa no Facebook
https://www.facebook.com/ProgramaVozDeIsrael e pelo email: vozdeisrael@hotmail.com

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