Yair Lapid, o rei de Israel

23/01/2013 | Eleições; Política
Yair Lapid com ativistas do “Yesh Atid” (foto: Yotam Ronen / activestills.org)
Yair Lapid com ativistas do “Yesh Atid” (foto: Yotam Ronen / activestills.org)

As eleições 2013 chegaram ao fim e 99% dos votos nas urnas de Israel já foram apurados. Faltam ainda as urnas militares e a conferência dos votos, mas pelo que tudo indica os resultados das eleições tiveram apenas uma grande surpresa: Yair Lapid e o seu partido Yesh Atid. De acordo com todas as pesquisas antes das eleições, o partido Yesh Atid (“Há um futuro”, partido laico de centro) teria 11 cadeiras e o partido HaBait Hayehudi (“A Casa Judaica”, partido religioso de direita) 17. No final, o partido Yesh Atid está garantindo 19 cadeiras, enquanto o Bait Hayehudi apenas 11.

Com estes números, Yair Lapid pode se transformar em uma peça central para a criação de uma coalizão de centro-direita ou de centro. Um governo de centro seria um governo de unidade nacional que Netanyahu tanto promete, mas que parece não vai conseguir formar se for nomeado para tentar formar governo. Conheça mais sobre esta personalidade israelense neste vídeo do programa Mosaico na TV de Fevereiro de 2012, quando foi lançada a candidatura de Yair Lapid para as eleições atuais:

Vamos analisar as possibilidades atuais e porque eu acredito que com os resultados destas eleições, o menino prodígio da televisão israelense pode se transformar no próximo rei de Israel:

Centro-direita
Este é o caminho mais claro e possível por enquanto, já que existe ainda um consenso (imposto pela propaganda do partido Likud-Beiteinu) de que Bibi Netanyahu foi reeleito. Se a propaganda funcionar e o presidente Shimon Peres der o poder de formar governo para Netanyahu, ele poderia contar com as vozes do Yesh Atid ao invés do Shas (que tem menos ministros para oferecer) para tentar formar um governo de centro-direita um pouco mais amplo e representativo da classe média israelense.

Centro
Se o presidente Peres surpreender, e tomar uma decisão histórica para tentar conseguir uma união nacional, é possível que ele deixe o cargo de formar governo para o próprio Yair Lapid. De acordo com Bibi, ele está interessado em formar uma coalizão ampla, com representantes de todos os espectros. Sheli Yechimovitz, a líder do Avodá, o partido trabalhista, disse que não está interessada em ser “girafa” de Bibi (ficar pastando), mas nunca disse que não poderia estar em um governo em que o Likud fizesse parte sem liderar. Para isso, talvez falte um mediador com sua imagem menos ligada a algum tipo de ideologia ou histórico político, um líder como Yair Lapid. Em uma coalizão histórica entre Yesh Atid, Avoda e Likud (e talvez outros partidos menores de centro) – com Yair Lapid como primeiro ministro. Bastante improvável, porém possível.

Independente do rumo deste novo “jogo político” que está começando agora, fica claro que Yair Lapid terá um papel central no próximo parlamento de Israel. Fica a esperança de que um novo líder tenha nascido e que tenha força para enfrentar as dificuldades políticas dos próximos dias. “Para, Para” (“vaca por vaca”, expressão israelense que significa que há que ter calma, “conquistar uma vaca por vez”)

Yair Lapid. Melech.

Comentários    ( 4 )

4 comentários para “Yair Lapid, o rei de Israel”

  • Raul Gottlieb

    24/01/2013 at 19:39

    O presidente pode escolher não convocar o primeiro colocado nas eleições a formar um governo? Eu não conheço o que diz a regra eleitoral em Israel, mas me parece que o Peres não tem esta alternativa. Ele tem que chamar o Bibi e pedir para ele formar um governo. Caso em um tempo este não consiga, daí chama-se o segundo colocado.

    Seria bom esclarecer isto.

    • Gabriel Guzovsky

      24/01/2013 at 19:56

      Oi Raul,

      Desde a 16a Knesset (a atual é a 19a), é o presidente quem indica quem deve formar o governo. Ele o faz até duas semanas após as eleições, depois de falar com todos os representantes dos partidos – que dizem para o presidente quem eles apoiariam como formador de governo.

      Os partidos tem direito de voz, mas a decisão é feita pelo presidente. Esse é um dos poucos poderes que o presidente exerce sobre o parlamento.

      Geralmente o formateur (markiv memshala– מרכיב ממשלה – “formador de governo”) é o líder do partido que recebeu mais votos ou o líder do partido que tem mais chance de formar uma coalizão que represente a maioria dos votos. Também de acordo com a lei vigente, quem forma a coalizão deve ser o primeiro-ministro.

  • Claudio Daylac

    26/01/2013 at 20:28

    Gabriel,

    Resta saber se o Lapid vai saber se colocar entre as raposas velhas da política israelense, né?

    Mal o saiu o resultado das eleições e os líderes do Likud Beitenu já estavam colocando-o como futuro ministro.

    Netaniahu declarou que a “divisão do fardo” (inclusão dos ortodoxos na sociedade através do exército e do mercado de trabalho) seria uma prioridade do próximo governo, numa clara tentativa de reaproximação com a classe média insatisfeita. Se o Lapid não abre o olho, o Bibi (que não quer perder a coroa) rouba a bandeira dele!

    Por outro lado, Liberman logo sugeriu que Lapid fosse ministro da fazenda, uma pasta que hoje é do Likud. Podemos ver isso tanto como uma simples tentativa de proteger os ministérios que atualmente tem o Beitenu, mas também como uma armadilha: o próximo governo deverá optar entre aumento dos impostos e cortes orçamentários. Lembrando que os orçamentos de defesa e de investimentos nos territórios raramente são tocados, é bem provável que a área social, que aperta o cinto da classe média, será afetada. E aí a imagem do futuro rei seria manchada…

    Enfim, veremos se o cara realmente tem sangue azul!

    • Gabriel Guzovsky

      03/02/2013 at 15:14

      Concordo Claudio, ainda falta comprovar. O Lapid é como o Reagan de Israel, se ele der certo durante este mandato, como ministro em algum ministério e com um partido forte – nas próximas eleições é que ele será coroado Rei…

      Mas ainda falta um bom tempo e ele ainda vai ter que comprovar muita coisa até lá…

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