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08/04/2016 | Economia; Sociedade

Outdoors por Tel Aviv anunciaram a vinda de Jordan Belfort a Israel, dia 27 de março. Sua história de vida é interessante e polêmica.

Nos anos 1980, fez fortuna vendendo investimentos em bolsas de valores e commodities, através de empresas financeiras, nem sempre reguladas. Preso e condenado por estelionato, cumpriu pena, zerou sua conta com a sociedade americana e realiza palestras pelo mundo, ensinando a arte de comercializar qualquer coisa.

Belfort joga com ondulações na oratória, subidas e descidas no tom de voz. Passa a própria confiança ao espectador, que recebe o sonho do primeiro milhão de dólares, como uma “passagem ao paraíso”. São abertas “as portas da esperança”.

O filme “O Lobo de Wall Street” é sua trajetória contada nas telas. Baita produção, com Leonardo Di Caprio no papel principal. Atuação fantástica.

Legal, né?

Alguém que construiu carreira de sucesso, aparou suas arestas com a Justiça e, hoje, vive honestamente de seu trabalho. Exemplo para todos.

Pois é…

Ocorre que muita gente deseja copiar o passado dele. Inclusive, em Israel. O tempo em que Jordan Belfort ganhava milhões enganando, roubando, dando golpes em clientes, através de investimentos furados.

A jornalista Simona Weinglass escreveu série de matérias sobre o assunto. Os textos estão em inglês. Não me atrevo a traduzir. Peço que vocês leiam no original. Tirem suas próprias conclusões.

Os mercados de Forex e Opções Binárias são sérios. As plataformas têm regulações confiáveis. Entretanto, algumas empresas costumam “jogar” contra os clientes, ganhando apenas quando eles perdem.

Consultores financeiros, atuando como operadores de telemarketing, telefonam para pessoas de várias partes do mundo e oferecem planos individuais rentáveis. Por aqui, segundo Weinglass, este mercado busca muitos imigrantes, pois “precisam de pessoas que falem as línguas dos clientes, em alto nível”. Neste caso, são raras as empresas que dizem estar em Israel, mesmo que a grande maioria dos escritórios se localize entre Rishon LeZion e Hertzelia Pituach (região da Grande Tel Aviv).

Por exemplo, vamos imaginar que Catalina, 27 anos, veio morar em Tel Aviv, há meio ano. Trouxe um pouco de dinheiro do Equador, mas depende do próprio salário para viver. O aluguel já é abusivo. As contas, pela hora da morte. Ser garçonete em um café é interessante, mas não lhe permite a independência financeira. As gorjetas são razoáveis, ela arranha o hebraico e o inglês, mas existem dificuldades de comunicação.

Até que ela descobre pela internet oferta de emprego em espanhol, de segunda a sexta, em horário comercial. Salário base de 9 mil Shekalim (9 mil Reais), mais bônus por vendas. A companhia fica em um prédio alto, bonito. Em vez de ficar horas de pé, carregando pesadas bandejas, irá apenas falar ao telefone, no seu idioma natal. Barbada, né?

Digamos que Catalina, após uma semana de treinamento, descubra que, na verdade, irá prometer aos clientes planos furados, que não se realizarão. Que os investimentos serão perdidos “por riscos que existem no mercado, ou pela própria incompetência do investidor, que não confiou no seu agente”. Então, pode bater uma culpa na equatoriana, um peso na consciência.

Ela seguirá ralando como garçonete, com problemas nas costas, saudades da família e sem dinheiro sobrando, mas honestamente. Ou, vai vender sua alma a pessoas que fazem milhões por mês, na pura falcatrua, sendo que no seu contracheque, entrará 30 mil Shekalim mensais.

Se imaginarmos o caso de Jack, 28, vindo de Nova Iorque, a situação torna-se ainda mais atrativa. Falando inglês fluente, com sotaque original, o mar de dólares diários é um horizonte sem fim.

Este é o dilema apresentado por Simona Weinglass. Leiam suas matérias sobre os “Lobos de Tel Aviv”. Sim, eles existem. São pessoas que, muitas vezes, estão em uma “sinuca de bico”. Mesmo sabendo que enganam, pensam que seria a única forma de sustento. Ao dar um nome falso, no início da ligação, tornam-se atores, representam aquilo que lhes dá o pão de cada dia. Assim, meio que guardam a pureza de seus honrados sobrenomes.

São histórias tristes, de pessoas jovens, cheias da grana, com as almas vendidas ao “demônio do mercado”. Muitos se justificam, dizendo que os inversores são “viciados em jogos”. Alguns, talvez. Mas, a verdade é que, depois de entrar nisto, torna-se complicado para sair. Os altos salários dão um padrão de vida que outros empregos nem chegam perto. As perspectivas ficam restritas. E eles pagam o preço da ganância, do acesso à fortuna fácil, do sonho de ser alguém que ficou milionário, através de estelionato.

Links: http://www.dublinglobe.com/team/simona-weinglass
http://www.adorocinema.com/filmes/filme-127524/
http://jordanbelfort.co.il/the-wolf-of-wall-street/
http://www.timesofisrael.com/the-wolves-of-tel-aviv-israels-vast-amoral-binary-options-scam-exposed/
http://www.timesofisrael.com/why-hasnt-israel-shut-down-binary-options-scam-a-former-mk-describes-how-she-tried/
http://www.timesofisrael.com/binary-options-an-israeli-scam-that-has-to-be-stopped/

PS: Catalina e Jack são pessoas que imaginei. A jornalista Simona W. entrevistou trabalhadores destas companhias.
Foto: http://dinheirama.s3.amazonaws.com/wp-content/uploads/2014/06/11113052/20140610-dinheirama-lobo-wall-street.jpg

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