Zoabi no Kahane dos outros é refresco…

13/01/2013 | Eleições; Política

Meir Kahane em nada se parece com Haneen Zoabi.

Kahane é judeu e nasceu em 1932 no Brooklyn, Estados Unidos, em uma família judaica ortodoxa. Seu pai, o rabino Yechezkel, era amigo próximo de Zeev Jabotinsky. Na adolescência, Meir frequentou o movimento juvenil Betar e um pouco mais tarde foi ativista no Bnei Akiva. Estudou em diversas yeshivot, onde recebeu ordenação rabínica e formou-se em Ciências Políticas e Direito  por grandes universidades nos EUA.

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Meir Kahane

Zoabi é muçulmana e nasceu em 1969 em Nazaré, Israel. em uma família muçulmana laica. É parente próxima de Abd el-Aziz el-Zoubi, o primeiro árabe a se tornar membro da Knesset. Zoabi estudou filosofia e psicologia na Universidade de Haifa, e recebeu um Mestrado de artes e comunicação da Universidade Hebraica de Jerusalém. Zoabi é a primeira cidadã árabe de Israel a se formar em estudos de mídia e estabeleceu as primeiras aulas de comunicação em escolas árabes no país.

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Haneen Zoabi

Mundos completamente desconexos levaram a escolhas políticas desiguais.

Kahane emigrou para Israel em 1971. Envolveu-se em diversas polêmicas, dando início a protestos que defendiam a expulsão dos árabes de Israel e dos territórios ocupados. No mesmo ano, fundou um novo partido, “Kach” (Tradução direta: “Assim”). Posicionado na extrema-direita israelense, o  lema de sua coligação logo ficou conhecida no país – “Dê-me a força, que eu cuidarei deles” – “eles”, no caso, era uma alusão aos cidadãos árabes israelenses e aos palestinos. Após diversas derrotas consecutivas, o partido finalmente conseguiu uma vaga na Knesset de 1984.

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Poster eleitoral (tradução): “Dessa vez Kahane – porque ele é dos nossos – Dê a ele a força, que ele cuidará deles finalmente”

Em 2001, Zoabi se filiou ao partido árabe Balad. Mais tarde, fundou a ONG chamada “Central de Mídia para árabes palestinos em Israel” (denominado “e’e’lam”). Em 2009, conseguiu uma vaga na Knesset tornando-se a primeira mulher muçulmana a representar um partido árabe  em Israel.

Como membros eleitos dentro do parlamento, cada um pôde propor a elaboração de leis que cristalizariam as suas idéias para o futuro do país.

Kahane defendia que o Estado de Israel fosse regido pela leis da halachá (lei religiosa judaica). Concedeu diversas entrevistas em que afirmou abertamente que judaísmo e democracia não poderiam caminhar lado a lado. Expondo o seu medo de que o crescimento demográfico árabe acabaria com o caráter judeu do Estado de Israel, propôs a deportação forçada dos árabes de todas as terras controladas pelo governo israelense. A ideia era compensar financeiramente com cerca de 40.000 dólares cada árabe que deixasse voluntariamente o país e, consequentemente, a expulsão de todos aqueles que se recusassem a deixar suas casas. Entre as propostas de leis polêmicas, posso citar as mais relevantes como a) “cidadania em Israel apenas para judeus” e b) “pena de prisão para árabes e judeus que casassem entre si ou que tivessem estabelecido uma relação sexual”. Felizmente, nenhuma destas leis chegou a ser votada por falta de quórum e apoio político.

Zoabi rejeita a ideia de Israel como um Estado judeu, que ela descreve como “inerentemente racista“. Na cerimônia em que seria empossada em sua função legislativa deixou o plenário do Knesset antes de cantar o o”Hatikva” (hino nacional de Israel) por afirmar que ele “não a representa”. Toda a sua luta política pode ser resumida no desejo de tornar Israel um Estado bi-nacional, concedendo direitos civis plenos a todos os refugiados palestinos. Não são raras as vezes que podemos assistí-la em programas de televisão e rádio condenando as políticas do governo israelense.

Meir Kahane até que se parece com Haneen Zoabi.

Os dois foram expostos a execração política e tiveram a sua candidatura ao parlamento questionada na mais alta corte judiciária do país.

Durante o seu primeiro mandato em 1984, Kahane se tornou cada vez mais isolado na Knesset. Seus discursos racistas eram boicotados por membros do parlamento e diversas vezes deixaram o plenário completamente vazio, restando apenas o presidente e o funcionário da transcrição. As Propostas legislativas de Kahane e moções de não-confiança contra o governo foram reiteradamente ignoradas ou rejeitadas pelos seus pares. Kahane, chamava os demais políticos de “helenistas” (uma referência a partir de textos religiosos judaicos que descrevem antigos judeus que assimilaram a cultura grega após a ocupação da Judéia por Alexandre, o Grande). Apesar do boicote político, a popularidade de Kahane crescia.

Em resposta a este compartamento que envergonhava o parlamento israelense, e seguindo a recomendação do Supremo Tribunal, o Knesset aprovou uma emenda à Lei Eleitoral, que cassava a inscrição de partidos e políticos que a) negassem a existência de Israel como o Estado do povo judeu; b) que negassem o caráter democrático do Estado; c) que incitassem o racismo.

Como resultado, o partido de Kahane foi desqualificado pela Comissão Eleitoral Central de concorrer nas eleições de 1988. O partido recorreu da decisão, alegando que a discriminação contra os árabes se fazia necessária à segurança do país. O apelo não foi bem sucedido, com o tribunal negando o direito de Kahane ser candidato afirmando na sentença que os objetivos e ações de sua legenda eram “manifestamente racistas”.

Em 31 de maio, 2010 Zoabi participou da Flotilha de Gaza. Ela estava a bordo do navio MV Mavi Marmara, que tinha o objetivo de quebrar o “bloqueio a Gaza”. A violência eclodiu quando soldados israelenses entraram no navio com a intenção de redirecioná-lo para o porto de Ashdod. Em um discurso na Knesset,  Zoabi descreveu o ataque como uma “operação militar pirata”. Durante seu discurso, ela foi interrompida várias vezes pelos outros parlamentares, que furiosamente gritaram “Vá para Gaza, traidora!

Tentaram  revogar a sua imunidade parlamentar e retirar a sua cidadania israelense. Tais tentativas foram bloqueadas pelo presidente da Knesset, Reuven Rivlin, que se recusou a apresentar estas moções a voto.

Finalmente, em dezembro de 2012 a Comissão Eleitoral Central desclassificou Zoabi, bem como o seu partido “Balad”, de participar das eleições que ocorrerão em janeiro de 2013 em Israel. O pedido de sua desclassificação foi embasado justamente na emenda de lei que anos antes havia contribuído para riscar a participação de Kahane da vida pública no país.

Haneen Zoabi apelou à suprema Corte de Israel, que por unanimidade (nove votos a zero) deu ganho de causa à parlamentar árabe, cassando a decisão que havia desqualificado a sua participação nas eleições.

Não deixa de ser curioso: Enquanto Kahane desejava “convidar” os árabes a se retirar do país, Zoabi deseja construir uma única morada para ambos os povos.

Não acredito que nenhuma das abordagens destes dois políticos sejam a solução para o conflito e tenho certeza de que qualquer uma delas poriam fim ao que conhecemos hoje como o Estado Judeu Democrático. Enquanto um pensamento destrói um dos pilares que sustentam a democracia, o segundo utilizaria o estado democrático para acabar com o caráter judeu do país.

De qualquer forma, não tenho como esconder o orgulho de viver em um lugar cuja Suprema Corte determina que a ideia da “separação” deva ser reprimida, enquanto que o desejo pela “unificação” deva ser preservado.

A verdade, é que eu não esperava nada menos de um tribunal, que em uma democracia, possui a função de  separar o  justo do  injusto e de estabelecer o que é aceitável e o que é condenável.

Dizer “não”, a Meir Kahane, é comprovar que Israel jamais poderá se autodefinir como um Estado Judeu senão se comportar democraticamente. Por outro lado, dizer “sim” a Haneen Zoabi, é comprovar que dentro de um Estado democrático, existe espaço e legitimidade para que se determine a sua característica judaica.

Meir Kahane e Haneen Zoabi, em suas diferenças e similaridades, conseguiram transformar Israel em tudo aquilo que eles não desejavam. Com as suas atuações políticas, a nossa democracia e o nosso caráter judaico estão muito mais fortes do que antes.

 

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Meir Kahane explicando as razões de seus ideais políticos (Para ativar a legenda em português, clique em “captions” no menu inferior do player do Youtube, após o início do vídeo):

 

Haneen Zoabi – Entrevista após a decisão do Comitê Central Eleitoral desqualificar a sua candidatura nas eleições de Israel  (*Para ativar a legenda em português, clique em “captions” no menu inferior do player do Youtube, após o início do vídeo):

 

Comentários    ( 12 )

12 Responses to “Zoabi no Kahane dos outros é refresco…”

  • Cynthia Senderowicz

    13/01/2013 at 03:42

    Cada vez gosto mais do Conexão. Parabéns Marcelo Treitsman pelo artigo. Talvez esse time de craques do Conexão me diga o por que de não vermos essas historias contadas na midia internacional. Muitos ainda acreditam que a midia em varios paises esta nas mãos de judeus. Se é ou se fosse assim, por que tudo de bom que nós sabemos que Israel faz e produz não chega ao publico? Esse quadro deve ser mudado com extrema urgencia, voces não acham? Até as midias sociais nas mãos dos árabes está demonstrando mais eficacia do que na de nós judeus, capazes de desenvolver a tecnolgia, mas sem nenhuma primavera no horizonte. Parabéns mais uma vez!

    • Marcelo Treistman

      13/01/2013 at 14:58

      Cynthia, muito obrigado pelo comentário e elogio.
      Como resposta a sua pergunta eu não tenho como lhe dizer porque é assim. Utilizo-me das palavras de Pilar Rahola (política integrante da esquerda espanhola e jornalista pró-Israel) que conseguiu delinear com precisão a visão sobre Israel na mídia atualmente.

      Ela disse:

      – “…com respeito a Israel, a fronteira entre a crítica democrática e a criminalização maniqueísta, é tão tênue que se viola na maioria dos comentários. Sobre Israel não se faz análise política. Perpetuam-se as velhas artes da difamação e da propaganda.
      É provável que a imprensa acredite que esteja a favor das vítimas, e sacrifique o bem superior da solidariedade ao bem público da informação. Certo? Então, por que não fala nunca dos palestinos, vítimas da loucura fundamentalista? Por que não fala das mães que são proibidas de chorar a morte de seus filhos suicidas? Por que não consideram vítimas os palestinos que apóiam o Islã totalitário?
      E, num contexto mais geral, por que não falam das muçulmanas que lutam por sua liberdade, das que querem escolher os seus maridos, as que querem emancipar-se profissionalmente, as que querem ser tratadas como seres humanos dignos? Por que, esta imprensa que acredita que está ao lado das vítimas, não se interessa pelos massacres islâmicos no Sudão, com seus milhares de assassinatos? Por que não nos explica a aterradora asfixia que sofrem os cidadãos do Iêmen? Por que não consideram vítimas os pobres iraquianos massacrados pelos terroristas fundamentalistas? De fato, por que falam de insurgência e não de terrorismo?
      Não. Não é correto. Porque a motivação não é a solidariedade, mas um estágio ideológico superior — ainda que moralmente inferior —: o que realmente interessa é poder usar as vítimas para estruturar, com convicção, o antiocidentalismo que é latente. Relativismo moral camuflado sob a crosta do esquerdismo”

      Um grande abraço,

      Marcelo

  • João Koatz Miragaya

    13/01/2013 at 13:36

    Muito interessante o artigo. Curioso é ver que, os mesmos que querem tirar de Zoabi seus direitos políticos são os que propõe a expulsão dos árabes de israel. Ontem à noite o candidato Arie Eldad esteve no programa humorístico Matzav HaUmá e, sem papas na língua, disse que seu projeto político é mandar todos os árabes palestinos para a Jordania.

    • Marcelo Treistman

      13/01/2013 at 15:11

      João, muito obrigado pelo feedback.

      Eu não tenho medo de políticos como Arie Eldad. Na época de Kahane, ainda não existia em Israel leis básicas (hierarquicamente superiores a leis ordinárias) como “Direitos e garantias individuais” e “liberdade de ocupação” que impedirão qualquer tentativa de uma política racista nos dias de hoje. Políticos como Eldad, poderão até tentar promulgar leis xenófobas e anti-árabes, mas encontrarão um bloqueio na Suprema Corte de Israel, que – sem dúvida – irá considerar tal lei “inconstitucional”. Lembre-se que além destas leis, os juízes ainda contam com a jurisprudência no caso do Kahane que eu cito no presente artigo.

      É óbvio que políticos da extrema direita poderão tentar cassar as prerrogativas do Supremo Tribunal. Aí então, chegaremos no dia em que a divisão dos poderes estará terminada no país. Isso, João, não se conseguirá com um trabalho legislativo no parlamento. Para cassar o poder do Supremo Tribunal de dizer que uma lei é “inconstitucional” será necessário uma revolução através de armas, não através de leis.

      A suprema Corte do país, nossas leis e jurisprudências já cristalizaram o caminho de Israel na direção da democracia e contra estratégias racistas e xenófobas. Lembre-se que nestas eleições, o tribunal já havia cassado as propagandas do Otzma Leisrael, que citamos neste artigo.

      Eu sou otimista. Não creio que a direita e extrema-direita pegarão em armas para acabar com a suprema corte de israel. E você?

  • João Koatz Miragaya

    13/01/2013 at 15:51

    Eu tampouco tenho medo, Marcelão, e nem acredito que estes caras nem hoje nem num futuro próximo farão algo significativo contra a democracia.

    Só lamento o crescimento deste pensamento e destas atitudes no seio da direita. Lamentável.

  • Mario Silvio

    14/01/2013 at 16:06

    “A verdade, é que eu não esperava nada menos de um tribunal, que em uma democracia, possui a função de separar o justo do injusto e de estabelecer o que é aceitável e o que é condenável.”

    Na minha opinião a decisão foi absurda. Em que democracia é aceitável um parlamentar boicotar o Hino Nacional? Enfrentar as Forças Armadas cumprindo ordens das autoridades competentes?

    • Marcelo Treistman

      14/01/2013 at 16:18

      Olá Mario,

      Você tem todo direito a ter a sua opinião.

      Você pergunta: “Em que democracia é aceitável um parlamentar boicotar o Hino Nacional? Enfrentar as Forças Armadas cumprindo ordens das autoridades competentes?”
      Em Israel, nove juízes da Suprema Corte, de forma unânime, determinaram que isto não é só possível, como aceitável.

      No Fundo, no fundo, os juízes determinaram que num “Estado Judeu Democrático“, não se pode questionar as bases da democracia. Ao mesmo tempo – veja só que curioso: – se permite o questionamento sobre o caráter judeu do país.

      Veja bem: eu espero e desejo a manutenção do caráter judaico no país. Isso não me faz discordar da decisão da justiça israelense.
      Na minha opinião, crescemos como país, quando reprimimos o livre pensamento de Kahane, e permitimos a Zoabi que manifeste livremente e politicamente o seu desejo pelo Estado bi-nacional.

      Um grande abraço

  • Mario Silvio

    15/01/2013 at 16:05

    Para que fique claro Marcelo: não advogo contestar a decisão da Suprema Corte, de maneira nenhuma.
    Mesmo assim continuo considerando um absurdo um parlamentar enfrentar as Forças Armadas, e isso não tem nada a ver com o caráter do país, judaico ou não.

    Acompanhe meu raciocínio: assim como seria inaceitável enfrentar a decisão do poder encarregado de fazer as leis serem aplicadas, TAMBÉM é inaceitável um membro do poder encarregado de faze-las não cumpri-las.
    .

    • Marcelo Treistman

      16/01/2013 at 13:25

      Mario,

      Eu concordo com a sua síntese, mas gostaria de chamar a sua atenção para alguns fatos importantes:

      1 – Em israel, qualquer soldado poderá se recusar a cumprir uma ordem hierarquicamente superior, se considerá-la manifestadamente imoral”. Posteriormente, o soldado que agir desta forma, sofrerá um julgamento justo, onde se analisará as circustâncias do descumprimento da ordem legal.

      2 – Hannen Zoabi, não é militar. EM sua atuação política, na vida civil, por diversas vezes, usou de sua liberdade de expressão para condenar o bloqueio a Gaza, que ela considera “imoral” – “manifestadamente imoral”, já que segundo ela, o bloqueio “descumpre leis e tratados internacionais”.

      3 – No caso da Flotilha, 629 ativistas foram detidos em Israel. Os estrangeiros, foram logo liberados e extraditados aos seus países de origem. Os que possuíam cidadania israelense, sofreram um inquérito e a possibilidade de responder a um processo criminal. Haneen Zoabi, estava entre eles.

      4 – Haneen Zoabi foi liberada logo após a sua detenção – em 01 de junho de 2010. Ela tentou abordar a questão de sua detenção no Parlamento, mas como cito em meu artigo, foi interrompida incessantemente por outros parlamentares. Ela recebeu várias ameaças de morte por telefone e e-mail, e foi colocada sob proteção armada, depois que 500 pessoas se inscreveram em uma página no Facebook pedindo a sua execução. Foi requisitado pelo parlamento medidas punitivas contra a parlamentar por seu envolvimento na flotilha: perder o direito de portar um passaporte diplomático, perder o direito à assistência financeira para despesas legais, perder o direito de visitar os países com os quais Israel não tem relações diplomáticas, perder o direito de participar das discussões do Knesset, perder o direito de votar em comissões parlamentares e perder a sua imunidade parlamentar. Reuven Rivlin (LIKUD) bloqueou todas as requisições.

      5 – Ainda assim, o processo contra os cidadãos israelenses envolvidos continuou. Todos foram investigados por suspeita de tentar entrar na Faixa de Gaza de forma ilegal. Finalmente, em setembro de 2011, o procurador-geral Yehuda Weinstein encerrou a investigação. O Ministério da Justiça israelense afirmou que “depois de examinar as evidências do caso e as questões legais pertinentes à matéria, o procurador-geral decidiu fechar o caso como resultado de insuficiência de provas e dificuldades legais”. Sobre a atuação da parlamentar no caso específico da violência na embarcação, todas as fotos, filmes e testemunhos, foram colhidos pela polícia, exército e promotoria que decidiram não indiciar Haneen Zoabi em um processo criminal.

      6 – Portanto Mario, eu entendo e respeito a sua opinião, que é a mesma de muitos israelenses. Mas – observe – que se você é a favor do que escreveu: “seria inaceitável enfrentar a decisão do poder encarregado de fazer as leis serem aplicadas“, então sem dúvida, deverá respeitar as decisões dos orgãos competentes que investigaram a parlamentar, analisaram o seu descumprimento a ordem legal (que ela considerava “manifestadamente imoral”), e a INOCENTARAM de todas as acusações.

      7 – Tanto o descumprimento, quanto a declaração de inocência da parlamentar, respeitaram os ritos determinados dentro de um país democrático.

      Agradeço a sua participação!

  • Carlos Eduardo Bekerman

    19/01/2013 at 07:56

    Meir Kahane é um lunatico. È ódio puro. O problema é que este pensamento esta se fortelecendo desde a eleição de 2009 e nessa…

    • Marcelo Treistman

      19/01/2013 at 22:28

      Carlos,

      Não tenho conhecimento para lhe dar dados sobre este “fenômeno sociológico” que você afirma existir na sociedade israelense desde as eleições de 2009. Lembro que na época dos acordos de oslo, foi possível observar em Israel uma retórica de ódio fortíssima, que culminou no assassinato de Itzhak Rabin em 1995.

      De qualquer forma, como eu indico na minha resposta ao João (aí em cima), eu posso lhe afirmar que o país possui hoje um arcabouço jurídico que conseguirá impedir que um “lunático”, cristalize o seu discurso xenófobo e racista em ações políticas.

  • Paulo Seligman

    20/01/2013 at 12:40

    Marcelo parabens pela materia. Gostaria de informar ao Mario Silvio, que tambem o Juiz da Suprema Corte Salim Jubrani se recusou a cantar o hino, pois nao ve a razao de um cidadao arabe israelense ser obrigado a cantar “Nefesh Iehudi homiia”. O hino nao leva em conta minorias e a propria exigencia de que os arabes aceitem Israel como um pais judaico acarreta em transformar a populacao arabe e crista em cidadaos de segunda classe.